O desinteresse da popula o em rela o
O desinteresse da população em relação à política existe porque somos influenciados por valores individualistas, imediatistas, consumistas, e também por sermos herdeiros de uma cultura de não participação política, devido o processo histórico de colonização.
Esses fatores que desmobilizam a participação política geram resultados catastróficos para toda a sociedade, pois quando não há cobrança da população, há um aumento da corrupção, desencadeando assim a falta de recursos públicos para as diversas áreas, como: a saúde, habitação, educação, segurança, transporte; de modo geral a qualidade de vida diminui.
É a própria população que é afetada pela falta de interesse na política, e isso não é percebido pela maioria das pessoas.
Enquanto não enxergarmos que as consequências desse desinteresse nos atingem diretamente, não poderemos mudar esse quadro.
Quais são os meios para mudar essa realidade? Sem uma mudança de consciência, isso não será possível.
E a transformação começa pela Educação.
Entenda-se educação numa concepção mais ampla onde envolvam: a educação escolar, familiar, formação sindical, estudantil, as igrejas, etc.
Esses espaços públicos devem incentivar a participação, o envolvimento e o acolhimento das ideias debatidas no interior dessas instituições.
E, além disso, proporcionar uma integração entre a sociedade civil organizada com o poder público; realizando aquilo que o filósofo Rousseau denominou de democracia participativa ou democracia direta.
Em outras palavras, os políticos acolhem os anseios da população por meio de audiências públicas, assembleias deliberativas, referendo ou plebiscito.
Devemos entender que a participação política não se limita a essas instâncias ou ao voto apenas.
A cobrança e a participação devem se tornar um hábito presente na sociedade.
Mas isso só poderá se concretizar quando a mídia tornar-se democrática, abrindo espaços para que as TVs e rádios comunitárias possam mostrar as necessidades das “minorias” excluídas e marginalizadas.
Mas enquanto a mídia tradicional estiver com o monopólio da informação, não haverá incentivo à participação política, pois a mesma é financiada por grandes corporações que visam interesses individuais e que entram em conflito com o interesse da maioria da população.
Uma nova tendência que temos percebido é a utilização das redes sociais, que é um instrumento democrático, que é também utilizado visando à conscientização e a exposição dos problemas sociais.
Quando evidenciamos as situações precárias e compartilhamos nas redes sociais, isso possibilita que milhares de pessoas tenham acesso de modo imediato, gerando uma indignação geral, e também possibilita a cobrança de atitude por parte das autoridades competentes, como a organização de passeatas ou protestos como temos visto no primeiro semestre do ano passado.
participacao politica Além dessas medidas, devemos urgentemente fazer uma reforma política que, sobretudo, reveja o financiamento de empresas nas campanhas eleitorais.
Isso faz com que o Estado fique refém das empresas financiadoras, favorecendo-as em licitações, gerando superfaturamentos e propinas.
Assim sendo, a política se reduz a uma troca de favores entre políticos mal intencionados e empresários ambiciosos buscando o lucro a qualquer custo, e como consequência desse ato imoral e ilegal é a falta de investimentos nas áreas sociais.
Segundo Aris-tóteles, a verdadeira política deve ser pautada na busca do bem comum.
Mas segundo Platão, somente o sábio, conhecedor da legislação e da filosofia, poderia governar.
Como ele é conhecedor da justiça, seria capaz de aplicá-la.
Mas, sabe-se que apenas conhecer a justiça não garante que o politico seja justo.
Nesse sentido, Aristóteles acreditava que primeiramente o político deveria ser amigo, para somente depois ser justo.
Assim sendo, devemos educar as pessoas para serem amigas, pois nunca somos injustos com os amigos.
Percebe-se uma relação entre a ética e a política para superarmos os problemas atuais.
Tentar perceber essas características nos candidatos que concorrem às eleições nesse ano de 2016 ajudarão a filtrar e a selecionar bem os futuros eleitos.
Mas não podemos acreditar que somente a amizade ou o conhecimento fará de um candidato ou político alguém competente, que lute pelo bem comum.
O processo de mudança é lento e gradativo, pois a maturidade de uma nação é muito mais lenta que a conscientização individual.
O que não podemos perder é a necessidade de acreditarmos que um futuro melhor só poderá existir se hoje acreditarmos que ele será possível amanhã.
Se não forjarmos o impossível, jamais atingiremos o possível.
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