Eu falo em seguir em frente
Eu falo em seguir em frente, mas eu mesma nunca fui muito de ouvir os meus conselhos.
Cometo erros, esqueço aniversários e sou grossa até quando não quero.
Mas, apesar dos meus defeitos, sempre tive muitas expectativas no amor.
Sério! Como seria.
Que formato teria…
O que eu não sabia, e o que ninguém me disse, é que o amor não é aquela bala perdida que te acerta sem mais nem menos.
Bom, pelo menos comigo funcionou diferente.
Foi como ter um alarme no peito e escutá-lo esbravejar.
Sentir que era a hora de ser um plural.
O amor te deixa bobo e paranoico.
As nuvens passam a ter formas, os pássaros cantam mais alto.
Você não é você quando se apaixona.
O mundo é colorido em duzentos tons de vermelho e você gosta de escutar promessas, mesmo que não tenha pedido para ouvi-las.
Amor é pensar fora do corpo.
Saber ler mentes, decorar trejeitos e, quem sabe até, aprender a fazê-los também.
Amar é abaixar a guarda e mandar o exército de autossuficiência recuar.
Amar é compromisso.
Amar é uma palavra decisiva.
E palavras são destinos, caminhos em linhas que a alma escreve.
Escreve na parede do peito do outro.
Até porque, você não pode iniciar um incêndio sem uma faísca.
Você ama pela convivência, ama pela afinidade.
Ama e entende que ser perfeito não interessa.
Perfeição não discute, ela tem medo de ser machucada.
Pois com a perfeição não existem os receios.
Não tem meio termo.
A perfeição te deixa desleixar e some com todas as coragens que você nunca pensou em ter.
Então, por algumas vezes, posso até pensar que o amor é uma bala perdida sim.
Pois você sobrevive.
E recomeça.
E valoriza o que tem.
Faz planos, compra duas passagens, dois travesseiros.
Aprimora-se por dois, se reinventa duplamente.
Dentro do nosso universo existe um equilíbrio maluco.
O que um faz, o outro faz.
No amor eu consigo improvisar.
Aprendo que ser melhor é cronológico, enquanto os sentimentos são atemporais.
Aprendo que tenho medo de cometer erros, tenho medo de passar os meus aniversários sem ninguém por perto, medo de ter um vinho na geladeira por mais de três semanas por não ter com quem beber.
Percebi que a vida não é um conto de fadas.
É concreta, com pessoas e sensações reais.
E essa realidade me envolve, atiça e pasma.
Pois, neste plano, o amor será sempre o nosso ponto de encontro.
Ponto de ônibus coberto que nos abriga em dia de chuva.
Eu subestimei o amor e a capacidade que ele teve de me mudar.
Mas o amor também me subestimou e eu provei - para mim mesma até -, que ter alguém para esquentar os pés (e o coração) não era de todo ruim.
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