A CRÔNICA DO MURO
A CRÔNICA DO MURO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Justo quando saio às pressas e não levo a minha câmera, o que raramente acontece, um grande motivo fotográfico assalta os meus olhos, em uma esquina distante.
O que me resta é a transcrição paciente, sob os olhares curiosos de quem passa por mim.
Em um velho muro que o tempo castiga sem piedade, com os efeitos do sol, do vento e a chuva, leio a mensagem anônima que disponho a seguir: "Comunico aos familiares e amigos, que já não há mais motivo para sumiço, distanciamento e silêncio.
Aqueles meus problemas foram resolvidos, não contraí novos problemas, minha saúde anda perfeita e vou bem, financeiramente.
Logo, não existe mais o risco de choradeira e pedidos de socorro, empréstimo e locomoção motorizada.
Apareçam; amo vocês.".
Quis fazer uma crônica sobre o assunto.
No entanto, seria chover sobre o molhado.
A crônica está na própria mensagem, sem necessidade alguma de aplicações ou adornos.
Para quem sabe ler o mundo e a vida, cada momento já é uma crônica.
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