A folha por: Carlos Drummond de Andrade
A folha
por: Carlos Drummond de Andrade
A natureza são duas.
Uma,
tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos.
Mas vemos?
Ou a ilusão das coisas?
Quem sou eu para sentir
o leque de uma palmeira?
Quem sou, para ser senhor
de uma fechada, sagrada
arca de vidas autônomas?
A pretensão de ser homem
e não coisa ou caracol
esfacela-me em frente folha
que cai, depois de viver
intensa, caladamente,
e por ordem do Prefeito
vai sumir na varredura
mas continua em outra folha
alheia a meu privilégio
de ser mais forte que as folhas.
Mensagens Relacionadas
Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas disse
Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas disse: Por muito tempo achei que a ausência é falta.
Eu penso diferente, não como sinônimos, pra mim elas se complementam e prefiro pensar assim.<…
Turno à Janela do Apartamento
Turno à Janela do Apartamento
Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração da noite.
Nenhum pensamento de infância,
…
Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher
Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estétic…
#carlosdrummonddeandrade#poesiasMenino chorando na noite Na noite lenta e morna
Menino chorando na noite
Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino chora.
O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados, das …
No Meio do Livro
No Meio do Livro
(Parodiando Carlos Drummond de Andrade)
No meio do livro tinha um poema
Tinha um poema no meio do livro
Tinha um poema
No meio do livro tinha um poema
(…Continue Lendo…)
A TORRE SEM DEGRAUS
A TORRE SEM DEGRAUS
No térreo se arrastam possuidores de ciosas recoisificadas.
No 1. andar vivem depositários de pequenas convicções, mirando-as, remirando-as com lentes de contato.
(…Continue Lendo…)