Não puxei os olhos de minha mãe
Não puxei os olhos de minha mãe, nem o nariz.
Puxei os ouvidos.
Ir ao começo das coisas já é chegar ao fundo.
Amêndoa poderia ser somente uma palavra que ainda teria gosto.
A árvore faz contas debaixo da casca.
Eu me reclino ao mar com dois travesseiros de vento.
A mão sem anel é mais lenta.
Vim bem antes da bagagem.
Não tenho força para chamar meu grito de volta.
Se o rio escutasse, ele não retornava.
A casa em que se dorme fica acordada no sangue.
Abro um livro como quem descobre um sótão.
Eu me iniciei em telhados.
A uva que não virou vinho é uma amiga infiel.
Não me obedeço.
Os braços são lâmpadas sem paredes.
As pedras deveriam dizer tudo o que pensam para as sombras.
Quando quero morrer, me tranco no quarto do apelido e não atendo pelo nome.
Minha memória se acostumou a se imaginar nas falhas.
O mel é o imã das formigas.
Escrever é um excesso imperdoável que nasce da falta.
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