Antigamente
Antigamente, eu tinha um teatro de marionetes.
Bonequinhos de pano, presos por cordões, dançavam e pulavam na minha cama, controlados por meus dedos.
Eram bonecos de pano, mas riam, choravam e até sofriam porque eu lhes dava movimento e alma.
E, aos olhos de todos, passava por ser um grande artista.
Aplaudiam-me.
Um dia, não sei como explicar, dei alma demais a uma boneca miudinha e ela passou a cantar, chorar e rir por si mesma.
E fez mais, puxou os cordões de baixo para cima, guiando primeiro, meus dedos, depois, meus olhos, e, finalmente, meu cérebro.
Com o tempo, empolgou também, a minha alma.
Hoje, no teatro da vida, sou um boneco de carne e osso, controlado por uma boneca miúda que dirige minha vontade e a própria vida
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