Da esperança, a dor; o sentido oculto que move os pés; o desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas rebordadas de alegrias.
Da esperança, a dor; o sentido oculto que move os pés; o desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas rebordadas de alegrias.
Ir; um ir sem tréguas, senão as poucas pausas dos descansos virtuosos que nos devolvem a nós mesmos.
Idas que não findam e que não esgotam os destinos a serem desbravados.
Passagens; páscoas e deslocamentos.
Eu vou.
Vou sempre porque não sei ficar.
Vou na mesma mística que envolveu os meus pais na fé, os antepassados que viram antes de mim.
Vou envolvido pela morfologia da esperança; este lugar simples, prometido por Deus, e que os escritores sagrados chamam de Terra Prometida.
Eu quero.
O lugar sugere saciedade e descanso.
Sugere ausência de correntes e cativeiros…
Ainda que o caminho seja longo, dele não desisto.
Insisto na visão antecipada de seus vislumbres para que o mar não me assuste na hora da travessia.
Aquele que sabe antecipar o sabor da vitória, pela força de seu muito querer, certamente terá mais facilidade de enfrentar o momento da luta.
O povo marchava nutrido pela promessa.
A terra seria linda.
Nela não haveria escravidão.
Poderiam desembrulhar as suas cítaras; poderiam cantar os seus cantos; poderiam declamar os seus poemas.
A terra prometida seria o lugar da liberdade…
Mas antes dela, o processo.
Deus não poderia contradizer a ordem da vida.
Uma flor só chega a ser flor depois que viveu o duro processo de morrer para suas antigas condições.
O novo nasce é da morte.
Caso contrário Deus estaria privando o seu povo de aprender a beleza do significado da páscoa.
Nenhuma passagem pode ser sem esforço.
É no muito penar que alcançamos o outro lado do rio; o outro lado do mar…
E assim o foi.
O desatino das inseguranças não fez barreira às esperanças de quem ia.
O mar vermelho não foi capaz de amedrontar os desejantes da Terra, os filhos da promessa.
Pés enxutos e corações molhados, homens e mulheres deitaram suas trouxas no chão; choraram o doce choro da vitória, e construíram de forma bela e convincente o significado do que hoje também celebramos.
A vida cresceu generosa.
O significado também.
Ainda hoje somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa.
Os mares existem; os cativeiros também.
As ameaças são inúmeras.
Mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva dizer: Eu não vou desistir!
E assim seguimos.
Juntos.
Mesmo que não estejamos na mira dos olhos.
O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia…
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