(…) e vou definitivamente ao encontro de um mundo
que está dentro de mim, eu que escrevo para me livrar da carga difícil de uma pessoa ser ela mesma.
Em cada palavra pulsa um coração.
Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida.
Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo sofrendo a incalculável, dor que parece ser necessária ao
meu amadurecimento —amadurecimento? Até agora vivi sem ele!
É.
Mas parece que chegou o instante de aceitar em cheio a
misteriosa vida dos que um dia vão morrer.
Tenho que começar por
aceitar-me e não sentir o horror punitivo de cada vez que eu caio, pois quando eu caio a raça humana em mim também cai.
Aceitar-me plenamente? é uma violentação de minha vida.
Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado.
É por isso que toda a minha palavra tem um coração onde circula sangue.
Tudo o que aqui escrevo é forjado no meu silêncio e na penumbra.
Vejo pouco, ouço quase nada.
Mergulho enfim em mim até o nascedouro
do espírito que me habita.
Minha nascente é obscura.
Estou escrevendo
porque não sei o que fazer de mim.
Quer dizer: não sei o que fazer com meu espírito.
O corpo informa muito.
Mas eu desconheço as leis do espírito: ele vagueia.
Meu pensamento, com a enunciação das palavras mentalmente brotando, sem depois eu falar ou escrever — esse meu pensamento de palavras é precedido por uma instantânea visão, sem palavras, do pensamento — palavra que se seguirá, quase imediatamente — diferença espacial de menos de um milímetro.
in UM SOPRO DE VIDA
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