Ruínas
Ruínas
(…)
Risos não tem, e em seu magoado gesto
Transluz não sei que dor oculta aos olhos;
— Dor que à face não vem, — medrosa e casta,
Íntima e funda; — e dos cerrados cílios
Se uma discreta muda
Lágrima cai, não murcha a flor do rosto;
Melancolia tácita e serena,
Que os ecos não acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto.
A mão lhe estende
O abatido poeta.
Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a mão da fria morte
Tantas almas colhera.
Desmaiavam, nos serros do poente,
As rosas do crepúsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu lânguido olhar um raio deixa;
— Raio quebrado e frio; — o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.
Conhecem-te estas pedras; das ruínas
Alma errante pareces condenada
A contemplar teus insepultos ossos.
Conhecem-te estas árvores.
E eu mesmo
Sinto não sei que vaga e amortecida
Lembrança de teu rosto.”
Desceu de todo a noite,
Pelo espaço arrastando o manto escuro
Que a loura Vésper nos seus ombros castos,
Como um diamante, prende.
Longas horas
Silenciosas correram.
No outro dia,
Quando as vermelhas rosas do oriente
Ao já próximo sol a estrada ornavam
Das ruínas saíam lentamente
Duas pálidas sombras:
O poeta e a saudade.
Mensagens Relacionadas
Quando ouvi o astrônomo erudito
Quando ouvi o astrônomo erudito
Quando ouvi o astrônomo erudito,
Quando as provas, os números foram enfileirados diante de mim,
Quando me foram mostrados os mapas e diagramas a somar…
8 Há uma palavra Que empunha uma espada Pode trespassar um
8
Há uma palavra
Que empunha uma espada
Pode trespassar um homem armado -
Lança as suas sílabas de farpa
E fica-se, calada.
Mas onde tombar
Os salvos dirão
(…Continue Lendo…)
É impossível para um homem ser enganado por
É impossível para um homem ser enganado por outra pessoa que não seja ele próprio.
#amor#ralphwaldoemerson#engano#xix#seculo#impossivel#proprio#homens#poemas
Eu me contradigo
Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.
#poemas#seculo#xix#waltwhitman
Última flor do Lácio
Última flor do Lácio, inculta e bela,
(…) Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
A canção do africano
A canção do africano
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudad…