CRIAÇÃO À MODA ETERNA
CRIAÇÃO À MODA ETERNA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Os nossos filhos pequenos merecem todo o medo real do mundo que nos cerca.
Não só merecem, como precisam desse olhar extremado que não abre a guarda e vai lá no fundo.
Mesmo quando não há fundo.
Mergulha intempestivamente no caos das verdades farpadas do tempo em que vivemos.
Tenhamos medo por eles, para eles não o terem depois do tempo nem nos contextos equivocados que de nada valerão.
Apostemos o nosso couro, quantas vezes quisermos, mas nunca suas essências, no que não é de nosso alcance.
Evitemos as ausências disfarçadas; as distâncias amenizadas por presentes; as terceirizações em nome da independência precoce.
O sossego prático e frio de nossa confiança nos corações externos.
Eles tanto precisam do nosso exagero, quanto sentem profundamente a falta do excesso desse amor, quando nos rendemos ao descanso de respirar sem culpa e susto… à paz da consciência adquirida por conceitos modernos de criação menos vinculada.
Só no passar dos anos, os filhos percebem todo o abandono que lhes demos com belas nominatas contemporâneas embrulhadas em bonitos discursos profissionais.
Sejamos os pais de que a inocência filial precisa.
Logo a vida privará os nossos filhos dessas loucuras de amor, mas essa perda tem cura.
Ela virá na saudade sempre terna e risonha do que não lhes faltou no tempo em que tiveram a proteção - ou superproteção - de tantas preocupações afetivas.
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