Aquela vez no Arpoador achei que seria a derradeira primavera
Aquela vez no Arpoador achei que seria a derradeira primavera.
O amor me transbordou de imediato.
Depois de cantoria no palco, tomei o rumo de casa.
O laço bordado em minh'alma, tornaria-se apenas uma lembrança distante.
Até que por obra do destino a música lançou o reencontro.
O meu coração entrou em festa, alegria que se fundia com o silêncio de não poder gritar o sentimento.
Estava lá, de frente para aquela beleza branda que mal ficava no ambiente enquanto eu entoava os acordes na voz.
Fitava, aflita, possibilidades infindas, de não acabar.
Torci para que durassem esses pequenos instantes, mas findarão os dias de canção e os cabelos de raios de sol ficarão guardados na lembrança do verão.
Trago agora o seu perfume sóbrio com notas afrodisíacas, ele me desperta para o lugarejo interior da paz.
Ah! Como é boa essa paz que mesmo quando não abraça a gente, embriaga de desejo.
Contraditória até! Ao mesmo tempo que é sã, transforma-se em desatino de paixão que desintegra a lucidez.
Apaixonar-se é, de fato, perder o prumo?
Acho então que seja amar a palavra certa, que traz a resiliência.
Quem não acredita em amor à primeira vista com tudo o que tem direito? A vida seguirá.
Esperarei, depois da despedida, um novo canto, um novo reencontro, uma carona na chuva, ou quem sabe um entardecer ao lado seu, ou mais um breve momento, um chá de hibiscos no próximo florescer.
Talvez, por ser do signo de terra, nem acredite que isso seja sobre você.
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