POBRE CÃO!…
POBRE CÃO!…
CRÔNICA
Não estava nas ruas por acaso…provavelmente alguém o abandonou.
Quando apenas procurava um cantinho pra se esconder e amargar seu sofrimento.
Não muito côrtes,o ordenei que saísse do meu recinto comercial - quando o adentrou no mesmo - raiando com ele severamente; devido ao horrível odor que exalava de uma bicheira, em uma de suas patinhas traseiras.Mas, de imediato, tive que rever o meu gesto: por achar deselegante a maneira como dei aquela ordem imperativa de sua retirada do local.
Com certeza naquele dia já ouvira tantas vezes o mesmo "não" de forma “Sai pra lá cachorro…! ” ou pauladas, e pedradas…
Do lado de fora da loja, tentei retificar o meu grave erro, estalei os dedos e o chamei para junto de mim.
Eu já desejava contar com sua amizade.Mas ele, arredio, não esboçou nenhum sinal de receptividade ou alegria.
Os bichos também têm sentimentos como a gente… Ficam para baixo, tristes,quando perdem a confiança,a saúde e o desencanto com as pessoas e com a vida.
Eu precisava fazer alguma coisa por ele, além de um olhar de piedade.
Dei-lhe um pão; pelo menos assim amenizaria um pouco a dor da fome.
Mas a doença tira o apetite.Sem ânimo até pra comer, somente degustou alguns poucos nacos do alimento.
Dou o maior valor nas ONGs que cuidam desses animais: as pessoas destas instituições têm um espírito enorme e iluminado.
Duas moças passaram nas proximidades,no momento; com as mãos no nariz, disseram em coro: “sai pra lá cachorro!…” Não gostei de ouvir aquilo.
E lembrei-me de buscar um gole d’água para o bichinho… Mas,demorando achar uma vasilha adequada, ao retornar a ele, não mais o vi… E, talvez nunca mais o verei.
Por isso, se pudermos fazer o "bem" não devemos demorar muito.
Pobre cão!…Se pudesse falar… pediria um socorro imediato para os seus males.Se tivesse sadio e bem tratado, bonito.
Cairia na graça de todos e não sairia do braços,do sofá…da cama.
E Não lhe faltaria carinho e amor; mas debilitado daquele jeito, todos o repudiavam e o enxotavam.
Até eu vacilei quanto a isso,conforme relato já feito.
E ainda têm pessoa que dizem: "vida boa é de cachorro." Bom seria se pudéssemos viver um "dia de cão" abandonado e doente.
Quem sabe assim daríamos mais valor ao nosso‘melhor amigo’
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