Cão Rendo homenagem ao cão; ele late melhor do que eu.
Cão
Rendo homenagem ao cão; ele late melhor do que eu.
A. impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse…
#poesias#carlosdrummonddeandradeA flor e a náusea
A flor e a náusea
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam comple…
Irmão
Irmão, Irmãos
Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem …
"Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade
"Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças lí…
#poesias#poemas#poesia#grandes#carlosdrummonddeandrade
Amor Amar pela segunda vez o que foi nosso é tão surpreendente que constitui outra primeira vez.
Amor
Amar pela segunda vez o que foi nosso é
tão surpreendente que constitui outra primeira vez.
Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
detêm a mão ansiosa: Devagar.
Cada pétala ou sépala seja lentamente
acariciada, céu; e a vista…
Construção Um grito pula no ar como foguete
Construção
Um grito pula no ar como foguete.
Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos.
O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.
O sorveteiro corta a rua.
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Eu bem me entendo. Não sou alegre. Sou até muito triste. A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
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As obras-primas devem ter sido geradas por acaso
As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.
#escritores#pensadores#poesias#famosos#famosas#poemas#poetas#pessoas#autores#carlosdrummonddeandradeFalam por mim os que estavam sujos de
Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,
que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,
são duas horas de anestesia, ouçamos um pouco de mús…
“A beleza ainda me emociona muito
“A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem”.
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Toada do Amor E o amor sempre nessa toada
Toada do Amor
E o amor sempre nessa toada!
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para pe…
Não recomponhas tua sepultada e merencória infância. Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação. Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não er…
Porque (Carlos Drummond de Andrade)
Porque (Carlos Drummond de Andrade)
Amor meu, minhas penas, meu delírio,
Aonde quer que vás, irá contigo
Meu corpo, mais que um corpo, irá um'alma,
Sabendo embora ser perdido i…